O desfecho de uma história não está somente ligado a um final, mas sim, a um começar de novo e não outra vez. O começar de novo remete a idéia de novidade e não de repetição. Ao mesmo tempo em que uma história termina, logo uma abertura se insere, permitindo novo começo (desfecho = des-fecho). Então algo se realiza e não propriamente se encerra, efetiva-se, na verdade, uma nova passagem.
Para que esse novo se constitua, é preciso nascer de novo. Há uma passagem na Bíblia que apresenta essa questão no diálogo de Jesus Cristo com Nicodemos em João 3: 3-5: “...Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” Também em 2° Coríntios 5: 16,19: “...Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo..Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.”
Esse trecho da bíblia pode significar a possibilidade do começar de novo, onde os sonhos antes investidos e não realizados podem ser deixados para trás ou morrer para que nos reconciliemos com o nosso natural (poder ser) permita novas formas de existir. É preciso também que o homem vivencie esse luto, a tristeza em se desprender desse algo para que o processo de aceitação do novo vigore.
O processo se inicia na ilusão, finalidade, como condição para o desfecho que não é o fim, mas o início. O reencontro com os significados e significações que vivenciamos passa a então permitir uma compreensão dessas perdas levando a um crescimento de um saber viver de novo.
Na morrer esse sentido está bastante ligado ao sentimento que a pessoa tem por e de sua vida. O sentido é um gesto próprio. A vida é uma contingência que a qualquer momento pode nos ser tirada. A cada dia, minuto, segundo que se passa estamos cada vez mais perto da morte. Se dispor a viver a vida da melhor forma significativa é fazer de nosso morrer um constante viver.
A culpa por não estar vivendo o que se deseja viver está relacionada a não realização de nossos sonhos. Olhar para o que se permitiu ser ou faz e perceber que não condiz com o que realmente gostaria de ser ou fazer faz nascer uma angústia enorme, um sentimento de culpa que desgasta o homem.
O apóstolo Paulo, em Romanos 7:19, traz: “... Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Esse sentimento esteve sempre presente na humanidade. É a culpa por algo que gostaria de ser e não é. O assumir a culpa permite que o homem se desprenda daquilo que não é, mas gostaria de ser para se perceber sujeito ativo de seu próprio destino, criando novos caminhos.
As relações e toda a história do homem vão “direcioná-lo” para um amadurecimento. Não é a idade que identifica o grau de maturidade, mas sim, as significações feitas ao longo do tempo, que pode ser curto ou de fato longo, muito longo, não correspondendo diretamente a idade do sujeito. É preciso fazer valer a existência humana (Dasein: ser-aí, ser-no-mundo) para que novos sentidos se construam e um tempo de maturidade venha a se constituir.





